Manhãs daquelas

Tinha manhãs daquelas
de choro guardado e linhas magras lidas.
Manhãs de se (in)acabar em vontade
de verbos que não existiam
como aqueles charcos que só estavam
na vontade de lhes saltar para dentro
para o meio preciso
com muitos salpicos espetando anúncios
de riso rotundo e para breve
no ar aberto com ar
no entanto
fechado.
Manhãs daquelas
no entanto
de (in)acabar para breve guardados choros
e charcos
saltando-lhes para dentro
para o meio preciso
com muitos salpicos espetando anúncios
de uma vontade de atestar de verbos rotundos
como chutos ou gargalhadas
do traseiro até à boca
a magreza das linhas lidas.
No ar fechado com ar
de estar a abrir.
© 2006 Alexandra* ~ OneLight*®
(desenho de Wieslaw Walkuski)

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