ser com árvore

vem com raízes e ramos
esta percepção de ser
contigo
pés na terra, fundo
dedos roçando a nascente – a mesma
de veio e seiva
cerne penetrado em rebento
e sequência manando
latejo a latejo
a minha garganta, o teu restolhar ligeiro
a tua casca, a aspereza
acorde com a maciez
da minha pele
alargas-te em braços e eu, bifurcada
atiramo-nos num só absoluto de finalidade
aberto ao sol
lágrimas são chuva, e vento, este fôlego
o fim poderá ser o próximo anel
e contudo envelhecemos rebentando
princípios, assim
o tempo é enganado e as estações
a ininteligível perpetuidade
fragmentada em cada gomo de fruto
que cresce
para amadurecer, apodrecer, ou ser
comido
ser transformação, em todo o caso
© 2006 Alexandra* ~ OneLight*®
(quadro de Rafal Olbinski)

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