poemas e outras coisas com asas

... é isso, poemas e outras coisas que, por terem asas, às vezes voam, e às vezes, vêm pousar aqui.

sábado, setembro 16, 2006

ser com árvore


vem com raízes e ramos
esta percepção de ser
contigo

pés na terra, fundo
dedos roçando a nascente – a mesma
de veio e seiva
cerne penetrado em rebento
e sequência manando
latejo a latejo

a minha garganta, o teu restolhar ligeiro
a tua casca, a aspereza
acorde com a maciez
da minha pele

alargas-te em braços e eu, bifurcada
atiramo-nos num só absoluto de finalidade
aberto ao sol

lágrimas são chuva, e vento, este fôlego

o fim poderá ser o próximo anel
e contudo envelhecemos rebentando
princípios, assim

o tempo é enganado e as estações
a ininteligível perpetuidade
fragmentada em cada gomo de fruto
que cresce

para amadurecer, apodrecer, ou ser
comido

ser transformação, em todo o caso



© 2006 Alexandra* ~ OneLight*®

(quadro de Rafal Olbinski)