DRAMATIS PERSONAE

"não sou eu. nem és tu” embora sejamos, talvez “eu ou a outra ou o outro” que não sou eu mas sou e tu és e não és. em velas que se reconhecem içadas “no mastro da linguagem” em embarcadas, loucas demandas. quem sabe, minhas, como tuas, de anónimas fabulosas fábulas, “eu ou a outra ou o outro” e tu rodando continuamente nus no eixo contínuo do vício de ler as nossas noutras palavras nuas, varados os dédalos de todas as fases e dos nomes que se não dizem mas destinam ao lado oculto da lua. “somos viajantes no limite do céu”, logo, sabemos, sem que precisa se faça a volta de marinheiros há muito idos para que se avistem claros cavaleiros andantes chegados na esteira pura das estrelas lidas e claras Dulcineias nos anagramas das cartas reflectidas de marear ondas vagas. que replicam, nós sabemos, “os passos da partida e continuamente continuam na ânsia contínua de chegar” ao “longe dos teus olhos nos meus olhos”. será, apenas, que temos – apenas - fome de trigo e milho moídos na pedra de toque e sede da água na pele e de “abrir a boca para na boca lamber e devorar” os moinhos e as azenhas por descobrir. insaciáveis, insaciados passos, e até braçadas, braçados de cabelos loucos na loucura de nos sabermos “eu ou a outra ou o outro que eu sou” sem sossego possível ao despertar do dorso montado solto nas noites ou ao adormecer sem sono nos sonhos acoitados no coito dos dias. sei lá quem somos, que pintamos Rocinantes em escarlates improváveis por entre gigantes arquitectados, no tempo do tempo e nas esperas, em vários tons, alguns deles fazendo-se cegos, de verde e de azul!...
© 2006 Alexandra* ~ OneLight*® com citações de outras "dramatis personae"
(poster de Rafal Olbinski)

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