poemas e outras coisas com asas

... é isso, poemas e outras coisas que, por terem asas, às vezes voam, e às vezes, vêm pousar aqui.

quarta-feira, julho 26, 2006

da leveza e de metáforas



e então há todo aquele peso de dizer o tropel
de palavras leves como o que já passou
e mais um vento de mais um dia apagou
da poeira. o peso de dizer a cor do sangue
das pegadas que a leveza reescreveu na
ausência de cor do ar que entra pelas narinas
mas sai dos lábios com a densidade da espuma
que se quer voada de ondas e é, afinal, o suor
do galope ainda colado às ilhargas, aos membros
e à forma arquejante na memória do chão.
o peso de não ser nem cavalo fugindo da morte
pelo fogo que encontra ao buscar a morte da sede
nem água que vive na erva onde morre a fome
do cavalo. a leveza de palavras que se escrevem
e nada dizem do peso insustentável de ser… nada;
como um poema ou um tropel que já passou
e mais um vento de mais um dia apaga
da memória da poeira, que não da página ou do sangue
escorrendo ainda das narinas para os lábios
onde o ar não entra, da forma nua com a alma
coberta de suor, que galopava em metáfora de vida
mas morreu na onda em que a ausência de si
nas cores de outras metáforas, a reescreveu
e afogou.


© 2006 Alexandra* ~ OneLight*®


(poster de Rafal Olbinski para a ópera "Viagem a Reims" de Rossini)